Blog do Carneiro

Cultura Amazônica e Preservação Ambiental
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  • PELA POPULARIZAÇÃO DA PAXIÚBA

    Posted on maio 10th, 2009 Orlando Carneiro 4 comments

    paxiuba2Se disser que ela é exótica, que aos não botânicos poderá parecer estranho, diferente, estará estabelecida uma confusão: será ela oriunda de outra região, país, clima, como pressupõe o termo, aos técnicos do setor? “Singular”, adjetiva bem. Ela é da Amazônia, a mais singular das palmeiras destas matas.

    É preciso que se diga que ela não é uma unanimidade, e desperta sentimentos opostos, que vão do extasiamento ante uma beleza percebida individualmente, à definição que as suas características a enfeiam. Estas características diferenciais estão nas suas raízes aéreas, grossas, sutilmente aculeadas, que continuam a sair do tronco, cada vez mais altas, conferindo a citada singularidade. A copa, não: a copa é uma quase unanimidade, pois é elegante, confere à palmeira um beleza acentuada. Já ouvi: “se ela não tivesse estas raízes aéreas, seria linda”. Questão de gosto: se não tivesse estas raízes aéreas, seria parece a “laca negra”, esta sim, exótica, trazida das bandas de Nova Guiné. Seria bonita, sim, porém com uma beleza parecida a tantas. Completando: ela faz parte de um grupo, pois tem semelhantes no estilo: a paxiúba barriguda, ou paxiubão, mais grossa no tronco, e as paxiubinhas, mais finas, porém com o mesmo formato . Tem quem confunda a paxiúba com a caiuê – outra singularidade nossa, a “dendê do Pará” (substituída pela dendezeira africana), a (traduzindo o nome) “árvore que anda”, pois deita o tronco quando na sombra e desloca a sua copa para “buracos de sol” onde, enfim, crescerá, ficando parece um lagartão estirado preguiçosamente no solo. A confusão é porque muita gente, ao ver tantas raízes na paxiúba, pensa que estas a deslocam espacialmente, mas não é verdade: as raízes são de sustentação. Mas não apenas dela, palmeira: servem, pela dureza e durabilidade, para sustentação de paredes caboclas, para os pisos que irão durar nas casas do homem do interior. Há uma constatação entristecedora: mesmo na Amazônia, muita, mas muita gente desconhece a paxiúba. O que é pena: por ser a mais, repito, singular das palmeiras nossas, ela representaria bem a Amazônia: muitas raízes, para tentar se manter em pé, porém desconhecida por tantos, mesmo por muitos que a defendem. Integro o “grupo do extasiamento”: para mim, uma das mais belas das nossas palmáceas. E pela sua popularização lutarei, fazendo-a, inclusive, o símbolo da futura Fundação Preservacionista e Paisagística “Sonho do Carneiro”.