Cultura Amazônica e Preservação Ambiental
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  • SENTIDOS ATENTOS: VAI COMEÇAR O DESFILE

    Posted on março 23rd, 2010 Orlando Carneiro No comments

    eleicoesVai começar o desfile de inteligências e promessas: a campanha eleitoral para Presidência da República e Governos Estaduais. Em todos os veículos de divulgação, teremos acessos a inteligências privilegiadas que mostrarão os caminhos para sedimentar estradas que levarão o país e seus estados a um futuro grandioso.

    A Amazônia está em uma encruzilhada histórica: qual o seu futuro? Como equacionar a necessidade de progresso com a perenidade da mata? Antes das eleições, os candidatos mostram todo o seu preparo para o cargo. Conhecem as soluções. Dão aulas de preparo. Verdadeiros arautos de novos tempos.

    Mas…

    A Usina Hidroelétrica de Tucuruí foi construída num tempo em que os grandes projetos eram gestados em gabinetes, sem ouvir a quem quer que seja, e estes quem quer que seja estavam silentes, encurralados pelo sistema ditatorial que administrava o país. Obra importante e grandiosa, para ver diminuídos os custos não teve a contemplá-la as eclusas que permitiriam a continuidade da navegação pelo rio. A sua falta secionou o rio, separando o que os técnicos identificam como “montante” e “jusante”. Se a região fosse uma cidade, seria como se um muro impedisse que habitantes de um lado passassem ao outro – no caso, com suas embarcações, de qualquer calado. E veio a democratização do país. Com ela, eleições presidenciais. E o desfile de embromadores. Exemplos.

    Fernando Henrique Cardoso veio e, com o seu preparo intelectual diferenciado, lamentou a falta de eclusas na HDE Tucuruí. Mas ele iria, se eleito, resgatar esta dívida com a região: construir a s eclusas. Prioridade do seu Governo, não como benemerência à população, mas, sim, como necessidade premente para fomentar o progresso de toda a área. Findo o primeiro governo, ele gostou tanto que inventou a reeleição, que foi aprovada sabe-se lá como. Voltou à Amazônia, e disse lamentar que no primeiro período governamental tivesse que arrumar a casa, (que, de certa forma, era a dele, Ministro do Governo anterior), razão de não ter cumprido a promessa da construção das eclusas. Votassem nele para um segundo mandato, e uma prioridade inenarrável seria a construção das eclusas da HDE. Veio, foi, sumiu e eclusas não construiu, e hoje não tem nada mais a ver com este assunto. Veio o Lula. Lamentou que tivessem secionado o rio, mas ele iria pagar esta dívida da União com a Amazônia, e construir as eclusas. Terminando o primeiro mandato, voltou, e disse que não tinha sido possível acabar a obra (sim, ela se arrasta como lesma, financiamentos múltiplos), votassem nele que ele um dia viria, ainda como presidente, inaugurar a obra. Dizem que vai acabar agora. Nunca se sabe. Mesmo que cheguem ao fim, não apagarão, as décadas de estagnação a que foi condenada a região. Mas não há de ser nada: vai começar o desfile de promessas. Fiquemos atentos, todos. Se não quando, apenas para ver, com sensação de impotência, a cara dos mentirosos, se for o caso – o que, até agora, tem sido.