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Fiquemos atentos todos
Posted on abril 30th, 2010 1 comment
A política está fervendo. No artigo anterior, propus que todos ficassem atentos ao desfile de inteligências que é proporcionado pelas eleições presidenciais. Não há pergunta sem resposta, as promessas jorram como cascatas. Se o entrevistado é questionado sobre o flagelo que é a segurança pública no Brasil, ele vem e de bate-pronto informa que vai implantar um Ministério da Segurança Pública. É? E vai esvaziar os outros, que abrigam segmentos que migrarão, decerto, para o MSP – duvido que seja este o nome: a similaridade com outro organismo resulta em brotoejas. Ainda bem que o entrevistador não questionou o que ele faria para tratar de um assunto dos mais avassaladores na sociedade moderna, pelo que tem de agressão ao ser humano indefeso: a pedofilia. Se perguntasse, era capaz de o candidato informar que iria criar o Ministério da Pedofilia. Ao citar identificável, poderá parecer a uns e outros que estou declarando simpatias, pois querem porque querem dividir o Brasil em duas Capitanias Hereditárias, onde, ao ser contra um, se é a favor de outro e vice versa. Nada disto. Sou contra, por decepção acumulada, a esta geração inteira de políticos, que “sabem” as soluções de todos os nossos males, mas não solucionam nem um. O Brasil não é deles, é de todos nós, mas eles foram politicamente eficazes o suficiente para dividir o país entre o cara e a coroa. Entre o que foi prefeito de São Paulo e governador do estado, e as suas passagens não resistem a uma só chuva, e a que só fez parte do tal de PAC, o que não quer dizer muita coisa. O Brasil, entre outras coisas, sofre de uma indigência de gestão pública. Muitas vezes verba há, não há é capacidade de usá-la convenientemente. O ganhador de eleições tem que abrigar os indicados pelos chamados aliados, e os Governos viram colchas de retalhos, e começa a troca de acusações de culpa, antes do rompimento ruidoso.
Reformas. Estas são repisadas como necessárias para rearrumar o destino da Nação brasileira. Ora, são necessárias, os discursos convergem, jamais divergem: qual o motivo de não serem feitas? O sistema prisional, a legislação em vários de seus segmentos, a reforma do ensino, a saúde, flagelo nacional. Governos tiveram acertos, sim, FHC no início da retomada da economia e Lula na procura incessante do crescimento, o mesmo Lula se lembrando do que os outros ignoravam, a presença dos excluídos. Paternalista? A história de dar um anzol ao famélico, e não o peixe, pode ater ser verdadeira onde há peixes para serem pescados. E onde não há? Houve, sim, uma área de acertos, mas a área da embromação é muito maior que esta.
Nestas eleições, seria interessante ouvir, ainda que com certa desconfiança e algo de resistência, as propostas, os programas eleitorais. Se o cara é candidato a uma cadeira legislativa, que Leis irá propor? Ou promete que vai dotar as escolas de cadeiras escolares? Ora, isto não é atribuição dele: descarte. E os candidatos à Presidência? E os aos Governos estaduais?Propostas. Fique atento. Hoje, a facilidade de se guardar imagens ajuda a desmascarar os mentirosos. Ou, no mínimo, tentar lembrar os esquecidos.
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SENTIDOS ATENTOS: VAI COMEÇAR O DESFILE
Posted on março 23rd, 2010 No comments
Vai começar o desfile de inteligências e promessas: a campanha eleitoral para Presidência da República e Governos Estaduais. Em todos os veículos de divulgação, teremos acessos a inteligências privilegiadas que mostrarão os caminhos para sedimentar estradas que levarão o país e seus estados a um futuro grandioso. A Amazônia está em uma encruzilhada histórica: qual o seu futuro? Como equacionar a necessidade de progresso com a perenidade da mata? Antes das eleições, os candidatos mostram todo o seu preparo para o cargo. Conhecem as soluções. Dão aulas de preparo. Verdadeiros arautos de novos tempos.
Mas…
A Usina Hidroelétrica de Tucuruí foi construída num tempo em que os grandes projetos eram gestados em gabinetes, sem ouvir a quem quer que seja, e estes quem quer que seja estavam silentes, encurralados pelo sistema ditatorial que administrava o país. Obra importante e grandiosa, para ver diminuídos os custos não teve a contemplá-la as eclusas que permitiriam a continuidade da navegação pelo rio. A sua falta secionou o rio, separando o que os técnicos identificam como “montante” e “jusante”. Se a região fosse uma cidade, seria como se um muro impedisse que habitantes de um lado passassem ao outro – no caso, com suas embarcações, de qualquer calado. E veio a democratização do país. Com ela, eleições presidenciais. E o desfile de embromadores. Exemplos.
Fernando Henrique Cardoso veio e, com o seu preparo intelectual diferenciado, lamentou a falta de eclusas na HDE Tucuruí. Mas ele iria, se eleito, resgatar esta dívida com a região: construir a s eclusas. Prioridade do seu Governo, não como benemerência à população, mas, sim, como necessidade premente para fomentar o progresso de toda a área. Findo o primeiro governo, ele gostou tanto que inventou a reeleição, que foi aprovada sabe-se lá como. Voltou à Amazônia, e disse lamentar que no primeiro período governamental tivesse que arrumar a casa, (que, de certa forma, era a dele, Ministro do Governo anterior), razão de não ter cumprido a promessa da construção das eclusas. Votassem nele para um segundo mandato, e uma prioridade inenarrável seria a construção das eclusas da HDE. Veio, foi, sumiu e eclusas não construiu, e hoje não tem nada mais a ver com este assunto. Veio o Lula. Lamentou que tivessem secionado o rio, mas ele iria pagar esta dívida da União com a Amazônia, e construir as eclusas. Terminando o primeiro mandato, voltou, e disse que não tinha sido possível acabar a obra (sim, ela se arrasta como lesma, financiamentos múltiplos), votassem nele que ele um dia viria, ainda como presidente, inaugurar a obra. Dizem que vai acabar agora. Nunca se sabe. Mesmo que cheguem ao fim, não apagarão, as décadas de estagnação a que foi condenada a região. Mas não há de ser nada: vai começar o desfile de promessas. Fiquemos atentos, todos. Se não quando, apenas para ver, com sensação de impotência, a cara dos mentirosos, se for o caso – o que, até agora, tem sido.


